Prescrição de crimes: quando o Estado perde o direito de punir

O tempo também julga: passado o prazo legal sem condenação definitiva, o Estado perde o direito de punir. Veja como os prazos funcionam.

O que é a prescrição

Prescrição é a perda do direito de punir pelo decurso do tempo. Se o Estado não investiga, processa e julga dentro dos prazos legais, a punibilidade se extingue — o processo termina sem condenação, com todos os efeitos apagados. É garantia contra processos eternos, não um prêmio ao réu.

Os prazos básicos (art. 109 do CP)

O prazo depende da pena máxima do crime:

  • Pena máxima inferior a 1 ano: prescreve em 3 anos
  • De 1 a 2 anos: 4 anos
  • Mais de 2 até 4 anos: 8 anos
  • Mais de 4 até 8 anos: 12 anos
  • Mais de 8 até 12 anos: 16 anos
  • Acima de 12 anos: 20 anos

Marcos que zeram a contagem

O prazo corre do dia do crime, mas é interrompido (recomeça do zero) por eventos como o recebimento da denúncia, a pronúncia (no júri) e a sentença condenatória. Após a condenação definitiva, corre a prescrição da pena aplicada — com prazos calculados sobre a pena concreta, não mais a máxima. Menores de 21 na data do fato e maiores de 70 na sentença têm os prazos contados pela metade.

Crimes que não prescrevem

A Constituição torna imprescritíveis apenas o racismo (e a injúria racial, equiparada pelo STF) e a ação de grupos armados contra o Estado democrático. Todos os demais crimes prescrevem — inclusive homicídio, ainda que em 20 anos.

Como o advogado pode ajudar

A prescrição é matéria técnica cheia de detalhes: penas em abstrato e em concreto, causas de aumento, interrupções e suspensões. O advogado refaz o cálculo em cada fase e requer o reconhecimento — não são raros processos que seguem tramitando já prescritos, por falta de quem faça a conta.

Este conteúdo é informativo e não substitui a análise do seu caso. Fale com um advogado do escritório pelo WhatsApp (61) 98515-6890 ou agende uma consulta.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns

Processo parado por anos prescreve sozinho?
A prescrição ocorre automaticamente pelo decurso do prazo, mas alguém precisa apontá-la: a defesa peticiona demonstrando o cálculo, e o juiz declara extinta a punibilidade.
Crime prescrito fica nos antecedentes?
A prescrição antes da condenação definitiva apaga tudo: não gera reincidência nem antecedentes. Certidões que apontem o processo extinto podem ser retificadas.
A vítima pode fazer algo contra a prescrição?
A prescrição penal não impede a ação de indenização na esfera cível, que tem prazos próprios. As duas esferas são independentes.
Dívida de multa penal também prescreve?
Sim, a pena de multa prescreve em prazos próprios, e sua execução segue regras específicas. Cada caso comporta análise da extinção.

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