Acordo de não persecução penal (ANPP): como funciona

Para crimes de menor gravidade, a lei permite encerrar o caso sem processo e sem condenação — mediante condições. Entenda o ANPP.

O que é o ANPP

Criado pelo Pacote Anticrime (art. 28-A do CPP), o acordo de não persecução penal permite que o Ministério Público deixe de denunciar o investigado que aceita cumprir condições. Cumprido o acordo, a punibilidade é extinta: sem processo, sem condenação, sem reincidência — a ficha permanece limpa.

Requisitos

O ANPP exige, cumulativamente:

  • Crime sem violência ou grave ameaça contra pessoa
  • Pena mínima inferior a 4 anos (considerando aumentos e diminuições)
  • Confissão formal e circunstanciada do investigado
  • Não ser reincidente nem ter conduta criminal habitual
  • Não ter recebido outro ANPP, transação ou sursis nos últimos 5 anos
  • Não se tratar de violência doméstica contra a mulher

As condições típicas

Reparação do dano à vítima (quando possível), renúncia a bens e instrumentos do crime, prestação de serviços à comunidade e pagamento de prestação pecuniária a entidades sociais. As condições são negociadas — e é aí que a assistência do advogado, obrigatória por lei, faz diferença: acordos desproporcionais podem e devem ser recusados ou rediscutidos.

Vale a pena aceitar?

Depende do caso. O ANPP evita anos de processo e o risco de condenação — mas exige confissão e cumprimento fiel. Se a prova da acusação é frágil, disputar o processo pode ser melhor; se o risco é real, o acordo protege. Essa análise comparativa é exatamente o trabalho da defesa antes da audiência de homologação.

Descumprimento e recusa do MP

Descumprido o acordo, o MP pode denunciar — e a confissão feita pode pesar. Se o MP recusa o ANPP a quem preenche os requisitos, a defesa pode requerer a remessa ao órgão superior do próprio MP para revisão. O STF também firmou que o ANPP pode alcançar processos em curso conforme marcos temporais definidos — tema técnico que merece avaliação individual.

Como o advogado pode ajudar

O advogado verifica os requisitos, calcula a pena mínima com precisão (frações mudam tudo), negocia condições proporcionais à sua realidade, acompanha a homologação judicial e monitora o cumprimento até a extinção da punibilidade — o documento final que garante a ficha limpa.

Este conteúdo é informativo e não substitui a análise do seu caso. Fale com um advogado do escritório pelo WhatsApp (61) 98515-6890 ou agende uma consulta.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns

ANPP fica na ficha criminal?
O acordo não é condenação: não gera reincidência nem antecedentes. O único registro é interno, para impedir novo ANPP em 5 anos.
Sou obrigado a confessar para ter o acordo?
A confissão formal é requisito legal do ANPP. Por isso a decisão de aceitar deve ser tomada com o advogado, comparando o acordo com as chances reais de defesa no processo.
E se eu não conseguir pagar as parcelas do acordo?
Dificuldades supervenientes podem ser levadas ao juízo para readequação das condições. O silêncio, não — descumprir sem justificar leva à denúncia.
Já tem processo em andamento. Ainda cabe ANPP?
O STF admitiu o ANPP para processos em curso em certas janelas temporais (casos sem condenação definitiva à época da lei). A viabilidade concreta exige análise do momento processual do seu caso.

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